Uma viagem espiritual – A Ayahuasca

Uma viagem espiritual – A Ayahuasca

Conheci a Ayahuasca à alguns anos atrás. Quando ouvi pela primeira vez este nome, fiquei apaixonada pela energia dele, estava longe de saber que um dia viria a sentir tanta conexão com esta planta. Aqui conto um pouco da minha experiência nas cerimónias com esta planta – a MÃE das plantas.

A Ayahuasca é uma medicina poderosíssima, é um espirito puro e cheio de amor. Quando tomamos Ayahuasca entramos numa viagem de autodescoberta interior, somos levados nesta viagem para o nosso subconsciente onde aprendemos e evoluímos de forma mais rápida do que qualquer vida que possamos ter. Mesmo não sentindo efeitos o trabalho está a ser feito no nosso interior. Ela vai até ao interior do nosso Eu e altera o nosso ADN (DNA) para uma perfeita harmonia entre o nosso corpo espiritual e o nosso corpo físico. É uma experiência única. Todas as vezes que tomamos Ayahuasca estamos a aprender, existe sempre algo que ela tem para nos ensinar e nos relembrar. Já tomei Ayahuasca várias vezes durante alguns anos e em todas elas tenho experiências diferentes, em todas as cerimónias descubro mais sobre mim, mais sobre o meu Eu interior, é uma viagem infinita de conhecimento e aprendizagem sem igual. Nesta aprendizagem o nosso antigo Eu vai morrendo e vai nascendo um novo Eu, mais puro. Mas ainda assim com muito para aprender – pois o conhecimento é infinito e estamos sempre prontos para evoluir mais um pouco. Podemos morrer, sem fisicamente morrer, o que morre em nós são os nossos defeitos, os nossos bloqueios, os nossos traumas. Uma planta que vai a todos os registos limpar e trazer AMOR à nossa vida e libertar-nos de tudo o que já não é bom para nós.

Um espirito de amor incondicional dentro de nós

O que é a Ayahuasca?

A Ayahuasca é uma bebida psicotrópica com um sabor forte e muito amargo, que por vezes custa a engolir. Resulta de uma mistura de duas plantas – a Hoasca, ayahuasca ou também conhecida por cipó – é uma trepadeira e a Chacruna que induz as visões. Estas duas plantas são cozinhadas durante horas num caldeirão. Para trazer até nós todos os ensinamentos deste espirito de amor. É uma bebida milenar para os indígenas da Amazónia, para nós ocidentais, ainda é recente, mas tem vindo a conquistar cada vez mais pessoas que procuram a evolução do espirito da alma, que procuram mais conhecimento espiritual, curar diversos problemas psicológicos ou mesmo físicos.

A madrecita, Ayahuasquita, madre, Yagé, cipó ou liana dos mortos, são alguns dos nomes para chamar a maravilhosa Ayahuasca. Já viram o que é sermos ensinados por plantas… por plantas. É tão bonito, é tão mágico. Fico maravilhada.

Imagem Ayahuasca

Se as plantas forem bebidas separadamente não têm qual quer efeito, a magia acontece quando são as duas unidas uma a outra. Em alguns países, nomeadamente Estados Unidos a Ayahuasca é ilegal por ser considerada uma droga. A madrecita Ayahuasca tem DMT (Dimethyltryptamine), por esta razão à quem pense que é uma droga, mas não o é de todo. O DMT da Ayahuasca não cria as mesmas sensações que cria o DMT das drogas sintéticas, apesar de serem de estrutura semelhante. Mais próximo ou igual está o DMT natural que nós Seres temos no nosso corpo, e que criamos e libertamos em grandes quantidades momentos antes de nascermos e de morrermos. Quando bebemos a madre Ayahuasca ingerimos mais DMT, que vai para o nosso sistema e chega até à Glândula Pineal (que está ligada ao nosso terceiro olho). Este DMT que vamos absorver, reequilibra aquilo que tiveram os nossos antepassados e que se foi perdendo no nosso corpo com o mau uso das nossas potencialidades enquanto evolução.

Como disse, as duas plantas em conjunto é que formam a Ayahuasca e entram no nosso sistema nervoso central, trazendo até nós todos os ensinamentos da madrecita. No entanto elas são duas plantas distintas.


Planta Trepadeira

A planta trepadeira:

A trepadeira nasce principalmente na Amazónia. Hoje com o conhecimento desta planta, ela já é transportada para várias partes do mundo. Podendo assim ser usada nas cerimónias um pouco por toda a parte. Esta trepadeira, trepa pela árvore em forma de hélice. Faz-me sempre lembrar a forma do nosso ADN. Ela traz consigo a Inteligência e o Amor Universais, que depois de misturada com a Chacruna, nos transmite todo o conhecimento que precisamos no momento.

A planta Chacruna (que induz visões):

Esta planta também nasce e cresce na Amazónia, é ela que possui o DMT, que se une com a nossa Glândula Pineal e induz as visões de forma natural. Estas visões são enviadas através do nosso terceiro olho.


Planta Chacruna

Ayahuasca e Charuna

Quando as duas são misturadas e cozinhadas num grande caldeirão cria-se a Ayahuasca, um espirito feminino cheio de LUZ e AMOR. A madre Ayahuasca faz sempre um trabalho interior, dá-nos visões de várias formas, é como se nos mantivesse entretidos enquanto por trás faz a cura a tudo o que precisamos no momento. Podemos ver aquilo que ela sabe ser o mais indicado para o momento, por vezes as visões têm cores fortes como nunca as vimos aqui com os nossos olhos normais. Chamam-lhe “o vinho da alma” e o é de facto, a Ayahuasca depois de bebida, envia-nos uma energia maravilhosa, sentimos uma união com o nosso Eu, com o nosso Espirito, com a nossa Alma – a conexão com o Universo é sobrenatural e tudo é sentido dentro do coração com amor incondicional.

Por vezes podem não existir visões. Eu não tive visões durante muitas tomas de Ayahuasca. Talvez a partir da minha 14ª cerimónia comecei a ter visões. Acredito que não as tinha porque não era o mais indicado para mim no momento. No meu caso, foi preciso uma outra planta (um dia posso falar sobre esta outra planta) para me despertar as visões. Senão foi a outra que me desbloqueou, talvez tivesse chegado a altura – o certo é que tive visões fortíssimas como se estivesse a assistir a um filme com cores celestiais, mesmo em frente aos meus olhos. Com a Ayahuasca comecei depois a ter visões, até lá só tinha sensações e pensamentos muito elevados. A Ayahuasca sabe perfeitamente como deve dirigir a cerimónia. Em todas as cerimónias aprendi sempre muito, limpei muito daquilo que queria limpar em mim, e continuo no meu processo de evolução, assim como as tomas nas cerimónias, este é um processo continuo. A Ayahuasca já faz parte da minha evolução e assim continuo as minhas tomas com a Mãe das plantas.

Cerimónias de Ayahuasca em Portugal

Em Portugal a Ayahuasca é legal graças ao grande trabalho da Igreja Sincrética Santo Daime, que associa a toma desta planta a uma cerimónia religiosa cristã. O trabalho incansável desta Igreja tem sido muito para que esta planta possa trazer a todos nós as sua sabedoria e os seus ensinamentos. As cerimónias de Santo Daime são muito diferentes das cerimónias indígenas (como na Amazónia), estas segundas são as minhas preferidas e onde me sinto mais conectada com a planta.

Cerimónias Santo Daime

Apesar do nome diferente a bebida é semelhante, tendo algumas diferenças no momento de cozinhar e da energia colocada durante o cozinhamento – a Ayahuasca Santo Daime é energizada com as energias dos caboclos, Iemanjá, pretos-velhos (onde a minha energia não se liga a estas energias, não se não sejam boas, apenas temos de ouvir aquilo a que sentimos mais conexão), também é energizada com o Arcanjo Miguel e Mestres de Luz (onde eu já me conecto) e por isso já experimentei algumas cerimónias com o Santo Daime. No entanto continuo a preferir e sentir-me mais conectada com as cerimónias Xamânicas da Ayahuasca.

As cerimónias com o Santo Daime são completamente diferentes – a cerimónia é feita à roda de uma mesa que tem a cruz do Santo Daime no centro e à volta estão fotografias de caboclos, pretos velhos, entre outros. Quem dirige a cerimónia são os chamados “fardados”, que têm uma veste própria (camisa branca e calças azuis escuras vincadas), tocam vários instrumentos: chocalhos, violas, tambores, pandeiros, darbuka, pica-pau, entre outros. Esta cerimónia é feita de luzes acessas, os homens ficam sentados de um lado e as mulheres de outro. No teto há sempre umas fitas com triângulos coloridos como se estivéssemos numa festa popular. Os hinos, são assim como lhes chamam às músicas cantadas para afastar tudo o que não é de luz e do divino – são musicas ao estilo brasileiro, onde são chamadas entidades como o Arcanjo Miguel, Deus, Maria, Santos, Caboclos, Iemanjá, Pretos-Velhos. Por norma são bebidos 3 a 4 copos de Santo Daime, para fortalecer a conexão com a planta. Existem cerimónias de Santo Daime que são dedicadas aos encaminhamentos de seres perdidos neste plano e que precisam de encontrar a luz. Em todas as cerimónias que fui mesmo nas de encaminhamento, como não sinto que a minha energia consegue encaminhar seres, nem consigo incorporar, o meu trabalho nestas cerimónias foi sempre interior e não um trabalho de encaminhamento. Mas não quero que fiquem com ideia de que não gosto do Santo Daime, apenas a minha energia está mais ligada ao xamanismo e por isso as cerimónias indígenas são as que prefiro.

Cerimónias Ayahuasca

Estas cerimónias são as minhas favoritas, aquelas que sinto uma total entrega com a planta. Aqui tudo é muito semelhante com as cerimónias indígenas – na Amazónia. Faz-se num retiro de alguns dias e podem haver entre 2 a 3 tomas ou seja, 2 a 3 noites de cerimónia. Todas as cerimónias que fui, foram sempre no centro da floresta, num recinto fechado – que transmite muita conexão com a Mãe Natureza.

Antes da cerimónia, algumas horas antes ou um dia antes (já no retiro), faz-se a purga do Tabaco (ou como lhe chamamos o Vomitivo) – é uma toma para libertar bloqueios e energias que não são boas para nós, através de uma forte descarga pelo vómito – esta limpeza é muito boa e podemos fazê-la mesmo sem ter de tomar Ayahuasca, apenas por rotina de limpeza espiritual. Nesta cerimónia (do vomitivo) bebemos chá de tabaco (uma planta mestre – podemos chamar-lhe o Pai das plantas, o nosso pai – um espirito masculino), depois bebemos água morna, o que vai provocar um vómito repentino com um jato muito forte. O mesmo acontece durante as cerimónias de Ayahuasca e Santo Daime, o vómito é a purga para libertar tudo o que não está bom em nós. Da mesma forma pode sair em diarreia. Ao ler assim pode fazer alguma confusão a quem nunca experimentou, mas garanto que é tudo muito normal durante a cerimónia e todos estamos num processo individual de cura espiritual.

Esta cerimónia indígena é feita de noite, num ambiente escuro e acolhedor, ficamos sentados ou deitados nos nossos sacos de cama bem confortáveis em cima de colchões individuais ao lado uns dos outros e com os xamãs sentados num dos cantos centrados. Ao nosso lado temos um balde, caso o vómito surja, o que é muito comum. Tenho cerimónias que vomito e outras que à casa de banho e outras ainda que não há qualquer descarga. A cerimónia é feita pelos xamãs que aprenderam tudo também por outros xamãs mais experientes das mais profundas tribos da Amazónia. Os ikaros, são as músicas cantadas pelos xamãs que dirigem a cerimónia. Estes ikaros ajudam-nos a mantermo-nos focados no aqui e no agora, também nos ajudam a viajarmos nesta viagem com a Ayahuasca. Nestas cerimónias fazemos 2 tomas de Ayahuasca numa noite e mantemos a nossa intenção durante toda a cerimónia ou simplesmente deixamo-nos ir pelos ensinamentos que forem melhores para nós. É ela quem vai comandar a cerimónia, mas nós estamos sempre presentes. E sabemos que dentro de algumas horas os efeitos terminam, assim como a má disposição que possa existir.

Porque tomar Ayahuasca

Ao bebermos a Ayahuasca vamos libertar a nossa negatividade, vamos evoluir e conhecer mais o Universo que nos rodeia. A cima de tudo, vamos conectarmos com o Amor Incondicional e sentir uma vibração maravilhosa dentro de nós.

Sim, é possível haver bad trips (viagens más) ou podemos antes dizer cerimónias que não corram tão bem, elas correm bem do ponto de vista da cerimónia, mas no nosso interior podemos ter uma experiência mais pesada. O que já me aconteceu tive uma cerimónia não tão boa, mas no dia seguinte sabia perfeitamente que estava livre de todas aqueles pesos que transportava diariamente – todos nós estamos aqui neste plano para evoluir e trazemos muitas arestas para ir limando. A Ayahuasca com todo o amor, ajuda-nos a libertar estas amarras de forma mais rápida sem termos de viver vários anos ou mesmo vidas a tentar emendar. Uma cerimónia de Ayahuasca pode ser suficiente para libertarmos padrões tão negativos e desbloquearmos o nosso ser, como podemos ter uma aprendizagem fantástica que nos eleva a Alma a padrões que não imaginávamos.

A purga é uma forma de libertação de tudo o que não pertence à nossa energia

O Vomito ou mesmo a diarreia é uma das formas de libertação da negatividade, de potenciais formas de negatividade que possam existir dentro de nós. Esta negatividade que é acumulada de várias e várias vidas passadas. A Ayahuasca é um potencializador de crescimento espiritual, é uma forma de evolução por um caminho mais directo e mais rápido. A rapidez na evolução não significa que seja errado, significa que podemos utilizar aquilo que a nossa Mãe Natureza nos oferece, nos disponibiliza para podermos mais rapidamente ascender a um patamar de amor incondicional, a uma consciência de luz, a um acordar espiritual mais rapidamente do que se continuarmos a usar apenas as técnicas terrestres. Diz-se que os budistas demoram 20 anos a atingir, aquilo que na Ayahuasca podemos atingir em apenas algumas horas ou algumas cerimónias. Parece cliché dizer assim desta forma, mas sabemos que com a evolução da humanidade, várias portas começam a abrir para que possamos caminhar por caminhos mais fáceis. Não há caminhos exclusivamente certos, nem caminhos completamente errados. Todos os caminhos são certos se os estivermos a percorrer com o coração cheio de amor. Se sentirmos que a nossa energia está alinhada com o Divino. Eu sinto uma conexão muito grande com a Ayahuasca, mas existe quem prefira seguir outro caminho de ascensão ou mesmo a energia vai mudando e podemos mudar o nosso caminho para um outro igualmente correcto… está sempre tudo certo. Deixo aqui também que não é obrigatório tomar Ayahuasca para atingir a evolução.

Pode ser complicado explicar detalhadamente o que é a Ayahuasca, mas espero que me tenha feito entender, pois a Ayahuasca é mais entendida quando é tomada e experiênciada a cerimónia. Se queres conhecer a Ayahuasca, se sentes este apelo dentro de ti, é talvez porque chegou a hora de a conheceres. Se sentes algum receio, ou queres limpar alguns bloqueios antes da cerimónia para que possas trabalhar mais profudamente com a Ayahuasca, vê as consultas que tenho disponíveis aqui no meu site na secção Consultas.

Deixo aqui a minha gratidão à Ayahuasca por todas as experiências que ela me proporcionou e que continua a oferecer. A minha gratidão ao Tabaco que me limpa e me deixa pronta para receber tudo aquilo que está à minha espera. A minha gratidão por todos os Universos que se ligam, por todos os Seres de todas as galáxias, por todas as dimensões que se cruzam naqueles momentos, por todos os Seres de luz ascendidos que se envolvem em mim. Gracias Ayahuasca, Gracias Tabaquito, Gracias Padre, gracias Madre, gracias.

Luz e amor,
Carina Barbosa

By | 2018-01-16T14:30:59+00:00 Janeiro 16th, 2018|Alma|0 Comments

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